25 de outubro de 2011
Distanciamento
6 de abril de 2010
Tragicomédia
Saibamos ao menos aproveitar o 1% que nos resta, com um sorriso nos lábios, não esquecendo porém que o final de uma tragicomédia é quase sempre, e como o nome indica, uma infame tragédia.
Um grão de areia
Nietsche tinha razão: "a esperança é o derradeiro mal; é o pior dos males, porquanto prolonga o tormento" e leva ao fragmentar da alma.
Viva! Exaltemos as virtudes de uma morte lenta e decadente! Exaltemos as injusticas, as desigualdades e as hipocrisias! Nada! E o que nos resta, o que somos: Nada! Um grão de areia na imensidão do deserto...
8 de novembro de 2009
Regresso ao blog
De regresso ao meu blog, reparo que já desde finais de Julho que não escrevo nada nele. Que estranho! Não é por nada ter de relevante para falar, bem pelo contrário, há motivos de sobra. Ao invés, tenho vivido mais nestes últimos tempos do que no resto da minha vida e, por isso, precisava de pôr as minhas coisas em ordem. Até chegar aqui, claro.
Eu percebo agora que dou os primeiros passos para sair da encruzilhada em que me encontrava. Por um lado, a minha baixa auto-estima que fez com que, durante muito tempo, me sentisse de certa forma inferior aos meus pares. Por outro, a frustração e a incerteza quanto ao facto de poder vir a amar alguém novamente.
Creio que estes sentimentos devem corresponder exactamente àqueles que muitos sentem e que levam a sérios problemas, tais como dependência do álcool, drogas ou mesmo suicídio. Porém, eu seria incapaz de pôr termo à minha vida, mesmo que todo o meu mundo ruísse, hipoteticamente falando. As recordações das amarguras fazem-me sentir vivo, real, complexo, e não uma personagem de um qualquer romance fictício. Fazem-me amadurecer enquanto pessoa, equipando-me com as ferramentas necessárias para abordar quer o presente quer o futuro com maior coragem e determinação.
Sei, porém, que o caminho que trilho não é fácil. Tenho de ser persistente e lutar por aquilo que é importante para mim. E, acima de tudo, não deitar a toalha ao chão, como já me apeteceu fazer em certas ocasiões.
“Hope, it is the quintessential human delusion, simultaneously the source of your greatest strength, and your greatest weakness” (Is it?)
20 de junho de 2009
Escrever ou não escrever
Tenho sentido ultimamente dificuldades em escrever. É o que neste momento me vem à cabeça, consciente quer da realidade da situação quer do aparente paradoxo que esta frase poderá encerrar depois de escrever este texto. Bem, talvez seja melhor colocar as coisas desta forma: "Tenho sentido ultimamente dificuldades em escrever sobre assuntos que sejam relevantes para mim".(...) Pausa de 5 minutos, para aclarar as ideias (...)
Talvez precise de parar de escrever. Parar um tempo. Mais do que cinco minutos. Mais do que uma hora. Mais do que um mês. O tempo suficiente para que possa voltar a sentir o que escrevo, que sou eu quem escrevo e que escrevo o que sinto. Para ter a certeza que não vivo mais pela escrita do que pela realidade. Para saber que realmente existo.
Ou talvez precise de escrever mais. Para aperfeiçoar a escrita, para a tornar cada vez mais pura e expressiva. Para que as palavras fluam mais facilmente, sem quaisquer dissonâncias. Para puder ter o meu Universo alternativo, uma evasão à realidade triste e deprimente que é a minha vida neste momento. Como diria Shakespeare numa situação semelhante: "Escrever ou não escrever, eis a questão."
10 de junho de 2009
Memórias
Acho que, para começar cada viagem, eu escrevia sempre isto: "Levantámo-nos às 7.10h. Tomámos o pequeno-almoço, fizemos as malas, e dirigimo-nos para o Aeroporto de Sá Carneiro, no Porto." Depois, relatava os aspectos mais importantes de cada viagem, os hotéis em que ficámos, os museus, os monumentos, os episódios interessantes, num estilo que hoje me parece demasiado simples e restrito aos factos, mas natural devido à idade.
Algumas dessas viagens ficarão em mim gravadas para todo o sempre. Doutras, porém, já não tenho grandes recordações. Sei que estive em determinados lugares, tenho uma ou outra imagem na memória, mas não me consigo lembrar de tudo. São apenas fragmentos, mas que despertam em mim uma profunda curiosidade. É então que vou buscar o meu diário.
Folheio-o, até que chego a uma data "5 de Agosto de 1999". Dez anos atrás.
99.08.05 - Viagem à China
"Fomos ver a Praça de Tiananmen e o Palácio de Verão. Os dois lugares são maravilhosos e muito encantadores, principalmente o Palácio de Verão, com os seus jardins magníficos, o seu corredor (o maior do mundo) e a sua paisagem maravilhosa.
Visitámos também o Palácio Imperial, conhecido como a "Cidade Proíbida". Dentro desta cidade vivia o imperador. Lá visitámos a sala dos relógios com relógios magníficos. Diz-se que o último imperador da dinastia Qing fugiu quando a China foi atacada por japoneses.
Quando acabámos de ver a Cidade Proibida, fomos jantar a um restaurante local, onde comemos uma especialidade de Pequim -o pato lacado. Regressámos ao hotel."
Dez anos atrás...
9 de junho de 2009
O café do Sr. Alfredo
1 de junho de 2009
Clair de Lune
Há dois anos atrás, andava eu a vasculhar as minhas coisas, e encontrei-a. Abri a caixa com a colectânea - ao todo eram 40 CDs - e procurei um para ouvir. Na lombada de um dos CDs encontrei um nome – Claude Debussy. O nome não me era estranho. Tinha-o ouvido numa das aulas de formação musical. Era um compositor francês do início do século XX. Um modernista. Coloquei o CD na aparelhagem de som de minha casa, uma velhinha mas competente Technics, sentei-me no sofá e comecei a ouvir. Foi quando conheci “Clair de Lune”.
“Clair de Lune” é uma peça para piano escrita por Claude Debussy em 1890, o 3º movimento da suite Bergamasque, feita a pensar no poema com o mesmo nome de Paul Verlaine, que na língua de Camões, seria algo como isto:
“A vossa alma é uma paisagem escolhida,
Onde vão encantando máscaras e bergamascas
Tocando alaúde e dançando, e quase
Tristes sob os seus disfarces fantasiosos.
Enquanto cantam em modo menor
O amor vencedor e a vida oportuna,
Não têm o ar de crer na sua felicidade
E a sua canção mistura-se com o luar,
Com o calmo luar triste e belo
Que faz sonhar os pássaros nas árvores,
E soluçar de êxtase os jactos de água,
Os grandes jactos de água esbeltos entre os mármores.”
Acho que as palavras e a música falam por si…
30 de janeiro de 2009
Uma caminhada
O vazio. O silêncio, apenas quebrado pelo bater das ondas do mar e pelos lamentos das gaivotas que cruzavam os céus. A tranquilidade que outrora predominava na marginal, mas que tinha sido substituída pela imparável vida citadina. A maresia que o vento trazia, evocando em mim fragmentos de histórias há muito esquecidas, no tempo em que os Deuses habitavam a Terra, embelezando todos os recantos com a sua magia. A solidão, afinal tão negativa quanto pensava, o que é mau é o desespero, esse dilacera a alma. A saudade, da minha infância, do tempo em que era feliz, vivendo na ignorância de não conhecer nem a guerra, nem a tristeza, nem o sofrimento, todos os ideais de que o Homem tão orgulhosamente fala afinal submetidos a um mais persuasivo, o poder e o dinheiro...
O vento afasta-se e novamente o vazio, ele mesmo carregado de significações metafísicas tão importantes e tão profundas, que remontam à origem do Universo, mas que não consigo descobrir. O silêncio...
12 de janeiro de 2009
A cidade
Os primeiros raios de sol incidem sobre os prédios da Baixa portuense. A cidade começa a despertar sentindo-se já o fervilhar das actividades do dia-a-dia. Um vento fresco, mas agradável, faz agitar as árvores do Jardim da Cordoaria. Ao longe, a Torre dos Clérigos, um importante ex-libris da cidade.
Paro e observo tudo o que me rodeia. Tento captar tudo o que vejo, até o mais ínfimo detalhe, para que tudo permaneça na minha memória imutável com o passar dos tempos.
Contudo, apodera-se de mim uma sensação estranha, um misto de alegria e tristeza, de incompreensível saudade. Dou por mim a recordar alguns momentos que vivi em criança ali mesmo e de como a olhava com um enorme espanto e admiração, habituado que estava a viver longe da imparável vida citadina. Na altura era um mundo diferente e, por isso, era com verdadeira curiosidade que o descobria…
Hoje, conheço bem melhor a cidade, mas de certa forma ainda é assim que a vejo. Dá-me vontade de percorrer as suas ruas, de passear pela Ribeira, pela Foz, por Serralves, pelo Parque da Cidade... Recordo o Porto Sentido do Rui Veloso e apercebo-me que embora as palavras sejam diferentes, o sentimento é o mesmo...
29 de dezembro de 2008
A Efemeridade da Vida
A vida é efémera. Sinto-o na minha alma, nos meus ossos, na minha pele, em todo o meu corpo...
Não sou ainda velho, mas aquele sentimento maravilhoso de imortalidade que experimentei enquanto adolescente já se desvaneceu, deixando lugar apenas ao abismo intransponível que é a realidade.
Uma pessoa que me é muito querida sofreu um episódio agudo de doença. "Um AVC no hemisfério esquerdo do cérebro", afirmou o médco do Hospital de São Sebastião, em Santa Maria da Feira, onde essa pessoa estava hospitalizada.
Deveria estar melhor preparado para uma situação como aquela? Certamente, dado a idade avançada e os problemas crónicos de saúde que essa pessoa tinha. Diabetes, hipertensão, colesterol, enfim, toda uma panóplia de doenças crónicas que já afectavam essa pessoa há muito tempo. Mas a verdade é que não estava...
Eu sabia que a situação era grave, mas o médico, apercebendo-se da minha preocupação, procurou aliviá-la. "Ela está em coma medicamente induzido, mas estamos convencidos que ela irá recuperar. Tenha calma.
Uma semana depois, o derrame cerebral tinha diminuido significativamente, mas ainda não registava melhoras. Eu já temia o pior, mas passado dois dias, finalmente saiu do coma, ainda muito debilitada, incapaz de pronunciar uma palavra...
Foi transferida da Urgência para a Unidade de Cuidados Intensivos e volvida uma semana, para uma Unidade de Cuidados Continuados, onde passou a fazer fisioterapia todos os dias e terapia da fala uma vez por semana.
Infelizmente, a fisioterapia e a terapia da fala não estão a ter o efeito desejado. Continua sem falar, emitindo apenas alguns sons guturais. Não consegue ainda movimentar braço e perna direitos. Os médicos afirmam que pode haver alguma recuperção, mas que será lenta, dependendo da própria paciente.
Há duas semanas atrás, fui visitá-la à Unidade de Cuidados Continuados. Quando entrei no quarto, vi-a acordada, sentada numa cadeira de rodas, olhando para a enfermeira, que estava a verificar as tensões e a glicémia. "Os seus níveis estão bastante bem", anunciou. Fui ter com ela, chamei-a, ela olhou para mim e sorriu. Não foi um sorriso falso nem triste, mas um sorriso de alegria. Ela reconhecia-me!
"A capacidade de reconhecer pessoas não está afectada", disse a enfermeira, "mas ainda não consegue identificar objectos pelo nome e é provavel que não perceba muitas das coisas que se lhe diz".
Eu sentei-me numa cadeira junto a ela, e assim fiquei uma, duas horas, dando-lhe carinho, tentando falar com ela, animando-a, dando-lhe esperança...
Acometeu-se-me um desejo de ali permanecer muito tempo, talvez eternamente. Olhar fixamente para aqueles olhos cor de jade, acariciar aquela pele sulcada pelas rugas próprias da idade, aquele rosto sereno... Mas sabia que não podia ficar lá mais tempo.
Despedi-me dela e com o coração apertado, abandonei o quarto e regressei a casa.
A vida é efémera, sei-o bem. Há que aproveitá-la, gozá-la, ser feliz. Bem talvez isto pareça um cliché, mas isso é o que sinto.
Carpe Diem, diria Epicuro
E diria muito bem.
21 de novembro de 2008
A "Arte das Musas"
Vou ouvindo Miles Davis, John Coltraine, Stan Getz, Dizzie Gillespie, grandes nomes da música de todos os tempos que são apenas vagamente conhecidos pelo vulgo, e praticamente desconhecidos para as pessoas da minha idade…
É engraçado como apesar de vivermos na chamada “sociedade de informação”, a ignorância relativamente a vários aspectos da cultura universal é cada vez maior…
Hoje em dia, a indústria musical é poderosíssima e impõe um modelo capitalista a todos os que tentam ser bem sucedidos nesta área: não é preciso produzir boa música, basta que a música venda muito.
Como é óbvio, infelizmente, tem-se vindo a assistir a uma diminuição progressiva da qualidade musical. A falta de imaginação que grassa leva a que a maioria das músicas actuais sejam ridiculamente simples, muito semelhantes umas às outras, com letras pouco imaginativas e por vezes desprovidas de sentido.
Para mim, uma música deve ter algo que me arrepie, que faça mexer comigo… Um breve momento de magia, misterioso e belo, que se desvanece quase imediatamente, dando lugar a outro, num encadeamento perfeito…
Não me interessa se é rock, blues, jazz, fado, alternativa ou até mesmo música clássica: a expressão musical deve ser algo que venha de dentro: é preciso sentir algo, mas também é preciso saber exprimi-lo de forma eloquente, e isso exige esforço e talento...
Perante a mediocridade existente no panorama musical, sinto necessidade de recordar temas antigos, de épocas em que embora já houvesse necessidade de vender discos, a música tinha também como objectivo expressar alguns sentimentos, emoções e atitudes do músico, contagiando o público com a sua arte...
Quando a música era a verdadeira "Arte das Musas"...
31 de outubro de 2008
Hasta siempre, Comandante!
É dificil falar de alguém sem nunca o ter conhecido. Ainda mais se essa pessoa viveu uma época completamente diferente. Mas é impossível não falar de quem me marcou profundamente pela sua dedicação à justiça e igualdade sociais.
Falo de Ernesto Guevara, ou mais simplesmente el "Che", como carinhosamente os cubanos se lhe referem.
Ávido leitor e conhecedor da filosofia marxista-leninista, Ernesto Guevara era estudante na faculdade de medicina na Universidade de Buenos Aires, Argentina, quando pouco antes de terminar o seu curso, decide partir numa viagem com seu amigo Alberto Granado pela América do Sul. No decurso das suas viagens, visita minas de cobre, populações indígenas, leprosários, e apercebe-se da extrema pobreza em que a grande maioria dos sul-americanos vivia. Perante toda esta situação, compreende que só uma mudança do panorama político mundial (dominado pelos Estados Unidos) poderia amenizar aquela terrível tragédia humana.
Com Fidel Castro e um grupo de activistas políticos, decide organizar um movimento que tinha como principal objectivo a libertação de presos políticos em Cuba, movimento esse que falhou, obrigando-os a refugiarem-se nas montanhas de onde iniciam uma luta contra o presidente cubano Fulgencio Batista, que era apoiado pelos Estados Unidos. Nas montanhas ganham poder, recrutando muitos camponeses, intelectuais e trabalhadores urbanos. Luta contra o imperialismo americano, que utiliza Cuba como um autêntico bordel, desprezando a população local.
Finalmente, Batista é derrotado, e é instaurado novo regime socialista, liderado por Fidel Castro, com Che como um dos principais líderes do regime.
Che parte para o Congo uns anos mais tarde, tentando espalhar a causa comunista pelo mundo, mas sem sucesso por falta de apoios.
Regressa a América do Sul com esse mesmo objectivo, mas não é igualmente bem sucedido, acabando por ser assassinado na Bolívia pelas milícias locais.
Apenas trinta anos mais tarde o corpo foi descoberto e Che teve direito a um funeral condigno. Foi feito um memorial a Che Guevara, na cidade de Santa Clara, que felizmente já tive o prazer de visitar no ano passado.
Após a sua morte, as proezas de Che não foram esquecidas. A sua experiencia enquanto médico e a sua vida de guerrilheiro tornaram-se lendárias.
Ainda que compreenda que um regime verdadeiramente comunista seja impossível de implantar, admiro a coragem de quem é capaz de lutar por aquilo em que acredita.
Hasta siempre, Comandante!
24 de outubro de 2008
À procura da felicidade

Eu quereria conquistar palavras para dizer o que sinto, o que me vai na alma… mas a outra parte de mim reprime os meus pensamentos, fechando-os numa cave escura e profunda.
Vagueio pelas ruas, sem objectivo ou rumo definido. As ruas parecem-me todas tristes, sombrias, sendo impossíveis de distinguir. Sou levado pelo vento, como as folhas numa manhã de Outono. Por vezes, sinto-me triste, melancólico, sem vontade de viver. Porém, hoje, nada sinto, nem alegria ou tristeza ou sequer aborrecimento.
Hoje, apenas e só vivo. Não recordo o passado, nem faço planos para o futuro. Vivo o presente da melhor maneira possível.
De um devaneio, surgem vários sentimentos contraditórios: a alegria de viver, a tristeza por não ser feliz, o amor que nutro por quem me ama, o ódio por quem me despreza. Tudo se resume a uma mistura escura, compacta, da qual não encontro saída.
Por vezes pergunto-me: porque é que algo triste me acontece sempre? Não terei eu talvez a possibilidade, mesmo que remota, de ser feliz?
Felizmente, sei que não me encontro sozinho neste beco sem saída. Não encontro a luz ao fundo do túnel. Mesmo assim, procuro-a ardentemente, esperando encontrá-la. Encontrar a felicidade.

