9 de junho de 2009

O café do Sr. Alfredo

- Bom dia, senhor Alfredo! - cumprimentei eu.
- Bom dia, Pedro! - devolveu ele com um sorriso - Confiante para o jogo de logo?
- Claro, senhor Alfredo - respondi eu e encolhi os ombros, numa atitude de falsa modéstia - Com o Porto, não há hipótese...
- Pois não. - respondeu ele - O que é que vais querer?
- Queria uma torrada e uma meia-de-leite, por favor - pedi-lhe eu.
- É para já - respondeu-me o senhor e regressou ao balcão.
O senhor Alfredo era empregado num café da rua da Constituição, com o qual tinha uma relação de empatia e respeito. É um indivíduo de meia-idade, de baixa estatura, forte constituição, cabelo grisalho e olhos castanhos.
A afinidade clubística, revelada em conversas interessantes das várias vezes que tinha ido ao café, foi o ponto de partida para a nossa relação. Os temas das nossas conversas eram porém mais amplos do que o incontornável tema do F.C. Porto: a actualidade política nacional e internacional, o estado da economia, o desporto em geral, algumas notícias relevadoras (eufemismo para fofoquices) que apareciam nas revistas...
O senhor Alfredo é uma pessoa extremamente trabalhadora. Não sendo letrado, é dotado de uma inteligência e perspicácia extraordinárias. Sabe ouvir o que os outros tinham para dizer, e de dar uma palavra amiga quando necessário.
Desde que me lembro, o café do Sr. Alfredo esteve sempre aberto, excepto nos feriados.
Hoje, passei pelo café, e o café estava fechado. Na porta, apenas um aviso: "PASSA-SE..."
Sinais da crise, certamente.
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