1 de junho de 2009

Clair de Lune

A meados do mês de Abril de 2003, por ocasião do meu aniversário, ofereceram-se uma colectânea de música clássica dos mais importantes compositores de todos os tempos: Mozart, Bach, Chopin, Beethoven, entre outros. Quando a recebi, agradeci educadamente, mas pensei para mim próprio que a daria à minha mãe, que apreciava mais essa música do que eu, por altura do seu aniversário. Ou no Dia da Mãe. Guardei a colectânea no armário, e não voltei a pegar nela.
Há dois anos atrás, andava eu a vasculhar as minhas coisas, e encontrei-a. Abri a caixa com a colectânea - ao todo eram 40 CDs - e procurei um para ouvir. Na lombada de um dos CDs encontrei um nome – Claude Debussy. O nome não me era estranho. Tinha-o ouvido numa das aulas de formação musical. Era um compositor francês do início do século XX. Um modernista. Coloquei o CD na aparelhagem de som de minha casa, uma velhinha mas competente Technics, sentei-me no sofá e comecei a ouvir. Foi quando conheci “Clair de Lune”.
“Clair de Lune” é uma peça para piano escrita por Claude Debussy em 1890, o 3º movimento da suite Bergamasque, feita a pensar no poema com o mesmo nome de Paul Verlaine, que na língua de Camões, seria algo como isto:

“A vossa alma é uma paisagem escolhida,
Onde vão encantando máscaras e bergamascas
Tocando alaúde e dançando, e quase
Tristes sob os seus disfarces fantasiosos.

Enquanto cantam em modo menor
O amor vencedor e a vida oportuna,
Não têm o ar de crer na sua felicidade
E a sua canção mistura-se com o luar,

Com o calmo luar triste e belo
Que faz sonhar os pássaros nas árvores,
E soluçar de êxtase os jactos de água,
Os grandes jactos de água esbeltos entre os mármores.”

Acho que as palavras e a música falam por si…



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1 comentário:

Ana disse...

Eu já conhecia a Clair de Lune, é linda. Gosto de ouvi-la com as persianas baixas quando a noite cai. Gosto bastante de música clássica.

Sim, vivi aquele momento. Deve ter sido dos mais bonitos que vivi, com ele. E daqueles sem explicação - porque não a procuro. Há algum tempo teria dado voltas ao miolo a perguntar-me "o que é que significa?" mas já deixei de questionar os homens. Se a nós nos move geralmente apenas o amor - se a rapariga for íntegra, porque há muitas tomadas pela nova onda do século XXI - o homem é movido por muitas outras coisas que lhe dão simpatias momentâneas nada relacionadas com o amor.

Desculpa o meu pedacinho de amargura e continua a ouvir a Clair de Lune, a mim puseste-me a ouvi-la de novo :)