É dificil falar de alguém sem nunca o ter conhecido. Ainda mais se essa pessoa viveu uma época completamente diferente. Mas é impossível não falar de quem me marcou profundamente pela sua dedicação à justiça e igualdade sociais.
Falo de Ernesto Guevara, ou mais simplesmente el "Che", como carinhosamente os cubanos se lhe referem.
Ávido leitor e conhecedor da filosofia marxista-leninista, Ernesto Guevara era estudante na faculdade de medicina na Universidade de Buenos Aires, Argentina, quando pouco antes de terminar o seu curso, decide partir numa viagem com seu amigo Alberto Granado pela América do Sul. No decurso das suas viagens, visita minas de cobre, populações indígenas, leprosários, e apercebe-se da extrema pobreza em que a grande maioria dos sul-americanos vivia. Perante toda esta situação, compreende que só uma mudança do panorama político mundial (dominado pelos Estados Unidos) poderia amenizar aquela terrível tragédia humana.
Com Fidel Castro e um grupo de activistas políticos, decide organizar um movimento que tinha como principal objectivo a libertação de presos políticos em Cuba, movimento esse que falhou, obrigando-os a refugiarem-se nas montanhas de onde iniciam uma luta contra o presidente cubano Fulgencio Batista, que era apoiado pelos Estados Unidos. Nas montanhas ganham poder, recrutando muitos camponeses, intelectuais e trabalhadores urbanos. Luta contra o imperialismo americano, que utiliza Cuba como um autêntico bordel, desprezando a população local.
Finalmente, Batista é derrotado, e é instaurado novo regime socialista, liderado por Fidel Castro, com Che como um dos principais líderes do regime.
Che parte para o Congo uns anos mais tarde, tentando espalhar a causa comunista pelo mundo, mas sem sucesso por falta de apoios.
Regressa a América do Sul com esse mesmo objectivo, mas não é igualmente bem sucedido, acabando por ser assassinado na Bolívia pelas milícias locais.
Apenas trinta anos mais tarde o corpo foi descoberto e Che teve direito a um funeral condigno. Foi feito um memorial a Che Guevara, na cidade de Santa Clara, que felizmente já tive o prazer de visitar no ano passado.
Após a sua morte, as proezas de Che não foram esquecidas. A sua experiencia enquanto médico e a sua vida de guerrilheiro tornaram-se lendárias.
Ainda que compreenda que um regime verdadeiramente comunista seja impossível de implantar, admiro a coragem de quem é capaz de lutar por aquilo em que acredita.
Hasta siempre, Comandante!
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