10 de junho de 2009

Memórias

Houve uma altura, quando eu era mais novo, em que escrevia um diário das viagens que fazia.
Acho que, para começar cada viagem, eu escrevia sempre isto: "Levantámo-nos às 7.10h. Tomámos o pequeno-almoço, fizemos as malas, e dirigimo-nos para o Aeroporto de Sá Carneiro, no Porto." Depois, relatava os aspectos mais importantes de cada viagem, os hotéis em que ficámos, os museus, os monumentos, os episódios interessantes, num estilo que hoje me parece demasiado simples e restrito aos factos, mas natural devido à idade.
Algumas dessas viagens ficarão em mim gravadas para todo o sempre. Doutras, porém, já não tenho grandes recordações. Sei que estive em determinados lugares, tenho uma ou outra imagem na memória, mas não me consigo lembrar de tudo. São apenas fragmentos, mas que despertam em mim uma profunda curiosidade. É então que vou buscar o meu diário.
Folheio-o, até que chego a uma data "5 de Agosto de 1999". Dez anos atrás.

99.08.05 - Viagem à China
"Fomos ver a Praça de Tiananmen e o Palácio de Verão. Os dois lugares são maravilhosos e muito encantadores, principalmente o Palácio de Verão, com os seus jardins magníficos, o seu corredor (o maior do mundo) e a sua paisagem maravilhosa.
Visitámos também o Palácio Imperial, conhecido como a "Cidade Proíbida". Dentro desta cidade vivia o imperador. Lá visitámos a sala dos relógios com relógios magníficos. Diz-se que o último imperador da dinastia Qing fugiu quando a China foi atacada por japoneses.
Quando acabámos de ver a Cidade Proibida, fomos jantar a um restaurante local, onde comemos uma especialidade de Pequim -o pato lacado. Regressámos ao hotel."

Dez anos atrás...

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3 comentários:

IT disse...

Acredita que estou de queixo caído por uma coisa muito simples: com dez anos tinhas essa atenção toda ao mundo? Tenho uma irmã de nove anos que está muito longe disso, mas talvez seja da geração em que vive: só vê o Canal Panda à frente.
No meu tempo, com dez anos, também escrevia. E gostei do teu relato, até o nome da dinastia te recordas! Com dez anos eu estaria maravilhada a pensar que estava dentro de um filme qualquer do Jackie Chan (já havia em 1999?) e tu a ouvir o guia turístico (que, a propósito, será a minha profissão se tudo correr bem daqui a dois anos).

Enfim, eras um garoto fora do comum :)
(ps - eu sigo em frente, sigo sempre porque o caminho é por aí)*

Ana disse...

Desculpa, acho que comentei com o meu e-mail de turma.

Ah... e leste Anita Shreve? Esse livro, dos muitos romancezinhos que já li, o A Praia do Destino, é o meu preferido de sempre. Depois há outros, mas de outros géneros.

Bj*

catarina disse...

obrigada pelo cometário...
sim de facto as memorias da nossa infância consegume ser muito comoventes, por vezes aquilo que sonhavamos quando eramos pequenos não se compara aquilo que somos hoje...Por vezes penso que a visão do mundo é muito mais interessante quando somos crianças, qualquer coisa para nós por mais simples que seja consegue ser maravilhosamente formidável dai guardarmos registos na nossa memória ou em diários desses acontecimentos, mas tambem é verdade que hoje em dia já nem as crianças ligam a isso :P
gosto muito dos teus textos tambem, acho que escreves muito bem :)