22 de junho de 2009

Vermelhas eram as rosas

Vermelhas eram as rosas, meu amor
E longa era a carta de despedida.

Palavras de saudade e de dor,
Fragmentos de uma vida perdida

Negras foram as horas de amargura
Deixas-me para sempre, eu sei.

Do retrato,apenas restou a moldura
A nossa fotografia te deixei.

Brilhantes são tuas lágrimas agora
Chegou o momento de partir.

Imploro para que não vás embora
Em silêncio, pois sei que tens de ir.



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20 de junho de 2009

Escrever ou não escrever

Tenho sentido ultimamente dificuldades em escrever. É o que neste momento me vem à cabeça, consciente quer da realidade da situação quer do aparente paradoxo que esta frase poderá encerrar depois de escrever este texto. Bem, talvez seja melhor colocar as coisas desta forma: "Tenho sentido ultimamente dificuldades em escrever sobre assuntos que sejam relevantes para mim".
(...) Pausa de 5 minutos, para aclarar as ideias (...)
Talvez precise de parar de escrever. Parar um tempo. Mais do que cinco minutos. Mais do que uma hora. Mais do que um mês. O tempo suficiente para que possa voltar a sentir o que escrevo, que sou eu quem escrevo e que escrevo o que sinto. Para ter a certeza que não vivo mais pela escrita do que pela realidade. Para saber que realmente existo.
Ou talvez precise de escrever mais. Para aperfeiçoar a escrita, para a tornar cada vez mais pura e expressiva. Para que as palavras fluam mais facilmente, sem quaisquer dissonâncias. Para puder ter o meu Universo alternativo, uma evasão à realidade triste e deprimente que é a minha vida neste momento. Como diria Shakespeare numa situação semelhante: "Escrever ou não escrever, eis a questão."
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12 de junho de 2009

Worrisome Heart

por Melody Gardot


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10 de junho de 2009

Memórias

Houve uma altura, quando eu era mais novo, em que escrevia um diário das viagens que fazia.
Acho que, para começar cada viagem, eu escrevia sempre isto: "Levantámo-nos às 7.10h. Tomámos o pequeno-almoço, fizemos as malas, e dirigimo-nos para o Aeroporto de Sá Carneiro, no Porto." Depois, relatava os aspectos mais importantes de cada viagem, os hotéis em que ficámos, os museus, os monumentos, os episódios interessantes, num estilo que hoje me parece demasiado simples e restrito aos factos, mas natural devido à idade.
Algumas dessas viagens ficarão em mim gravadas para todo o sempre. Doutras, porém, já não tenho grandes recordações. Sei que estive em determinados lugares, tenho uma ou outra imagem na memória, mas não me consigo lembrar de tudo. São apenas fragmentos, mas que despertam em mim uma profunda curiosidade. É então que vou buscar o meu diário.
Folheio-o, até que chego a uma data "5 de Agosto de 1999". Dez anos atrás.

99.08.05 - Viagem à China
"Fomos ver a Praça de Tiananmen e o Palácio de Verão. Os dois lugares são maravilhosos e muito encantadores, principalmente o Palácio de Verão, com os seus jardins magníficos, o seu corredor (o maior do mundo) e a sua paisagem maravilhosa.
Visitámos também o Palácio Imperial, conhecido como a "Cidade Proíbida". Dentro desta cidade vivia o imperador. Lá visitámos a sala dos relógios com relógios magníficos. Diz-se que o último imperador da dinastia Qing fugiu quando a China foi atacada por japoneses.
Quando acabámos de ver a Cidade Proibida, fomos jantar a um restaurante local, onde comemos uma especialidade de Pequim -o pato lacado. Regressámos ao hotel."

Dez anos atrás...

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9 de junho de 2009

O café do Sr. Alfredo

- Bom dia, senhor Alfredo! - cumprimentei eu.
- Bom dia, Pedro! - devolveu ele com um sorriso - Confiante para o jogo de logo?
- Claro, senhor Alfredo - respondi eu e encolhi os ombros, numa atitude de falsa modéstia - Com o Porto, não há hipótese...
- Pois não. - respondeu ele - O que é que vais querer?
- Queria uma torrada e uma meia-de-leite, por favor - pedi-lhe eu.
- É para já - respondeu-me o senhor e regressou ao balcão.
O senhor Alfredo era empregado num café da rua da Constituição, com o qual tinha uma relação de empatia e respeito. É um indivíduo de meia-idade, de baixa estatura, forte constituição, cabelo grisalho e olhos castanhos.
A afinidade clubística, revelada em conversas interessantes das várias vezes que tinha ido ao café, foi o ponto de partida para a nossa relação. Os temas das nossas conversas eram porém mais amplos do que o incontornável tema do F.C. Porto: a actualidade política nacional e internacional, o estado da economia, o desporto em geral, algumas notícias relevadoras (eufemismo para fofoquices) que apareciam nas revistas...
O senhor Alfredo é uma pessoa extremamente trabalhadora. Não sendo letrado, é dotado de uma inteligência e perspicácia extraordinárias. Sabe ouvir o que os outros tinham para dizer, e de dar uma palavra amiga quando necessário.
Desde que me lembro, o café do Sr. Alfredo esteve sempre aberto, excepto nos feriados.
Hoje, passei pelo café, e o café estava fechado. Na porta, apenas um aviso: "PASSA-SE..."
Sinais da crise, certamente.
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1 de junho de 2009

Clair de Lune

A meados do mês de Abril de 2003, por ocasião do meu aniversário, ofereceram-se uma colectânea de música clássica dos mais importantes compositores de todos os tempos: Mozart, Bach, Chopin, Beethoven, entre outros. Quando a recebi, agradeci educadamente, mas pensei para mim próprio que a daria à minha mãe, que apreciava mais essa música do que eu, por altura do seu aniversário. Ou no Dia da Mãe. Guardei a colectânea no armário, e não voltei a pegar nela.
Há dois anos atrás, andava eu a vasculhar as minhas coisas, e encontrei-a. Abri a caixa com a colectânea - ao todo eram 40 CDs - e procurei um para ouvir. Na lombada de um dos CDs encontrei um nome – Claude Debussy. O nome não me era estranho. Tinha-o ouvido numa das aulas de formação musical. Era um compositor francês do início do século XX. Um modernista. Coloquei o CD na aparelhagem de som de minha casa, uma velhinha mas competente Technics, sentei-me no sofá e comecei a ouvir. Foi quando conheci “Clair de Lune”.
“Clair de Lune” é uma peça para piano escrita por Claude Debussy em 1890, o 3º movimento da suite Bergamasque, feita a pensar no poema com o mesmo nome de Paul Verlaine, que na língua de Camões, seria algo como isto:

“A vossa alma é uma paisagem escolhida,
Onde vão encantando máscaras e bergamascas
Tocando alaúde e dançando, e quase
Tristes sob os seus disfarces fantasiosos.

Enquanto cantam em modo menor
O amor vencedor e a vida oportuna,
Não têm o ar de crer na sua felicidade
E a sua canção mistura-se com o luar,

Com o calmo luar triste e belo
Que faz sonhar os pássaros nas árvores,
E soluçar de êxtase os jactos de água,
Os grandes jactos de água esbeltos entre os mármores.”

Acho que as palavras e a música falam por si…



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Falta-me a rima e a métrica



Falta-me a rima e a métrica,
A Beleza e a Vida em verso,

O corpo e a alma poética,
Numa palavra, o Universo.

Sobra sonho, falta talento,
É Minerva que se afasta,

Fico sem rumo nem alento,
Sozinho na escuridão nefasta.


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