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10 de novembro de 2011

O bravo soldado

Junto ao muro da cidade,
longos meses sitiada,
resistia o valoroso soldado,
ignorando a retirada.
Exausto da peleja cruel,
que sabia demais o fel,
pelo descanso ansiava,
que só na lança o achava. 
O momento por fim chegou,
seus olhos se fecharam,
e doce vitória alcançou,
sentiu os que o amaram. 
Junto ao muro da cidade,
jaz agora o bravo soldado,
que lutara com tenacidade
mesmo estando isolado.

Dedicado ao meu avô
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11 de janeiro de 2011

Caminho ao teu destino

A noite vai avançada, e os
meus últimos pensamentos
vão para ti, e minh'alma
sorri de estar perto da tua.


Teus delicados beijos são
como chuva no deserto,
teus sorrisos são a fonte
onde encontro felicidade.


Caminho ao teu destino...

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20 de julho de 2009

Há momentos

Há dias felizes? Não.
Há momentos felizes? Também não.

Há momentos em que se apodera de nós
a ilusão naive de que tudo irá correr bem,
de que nada nem ninguém nos pode afectar,
de que podemos ser felizes para sempre.

Ao som da Garota de Ipanema do Jobim,
conduzimos sem pressas em direcção à cidade,
para fazermos tudo ou talvez coisa nenhuma.

Vamos a um bar, encontramos alguns amigos,
e conversamos enquanto saboreamos um fino,
e temos tempo para tudo, porque somos imortais,
miúdos perdidos no meio da Terra do Nunca.

E depois temos os outros...



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22 de junho de 2009

Vermelhas eram as rosas

Vermelhas eram as rosas, meu amor
E longa era a carta de despedida.

Palavras de saudade e de dor,
Fragmentos de uma vida perdida

Negras foram as horas de amargura
Deixas-me para sempre, eu sei.

Do retrato,apenas restou a moldura
A nossa fotografia te deixei.

Brilhantes são tuas lágrimas agora
Chegou o momento de partir.

Imploro para que não vás embora
Em silêncio, pois sei que tens de ir.



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1 de junho de 2009

Falta-me a rima e a métrica



Falta-me a rima e a métrica,
A Beleza e a Vida em verso,

O corpo e a alma poética,
Numa palavra, o Universo.

Sobra sonho, falta talento,
É Minerva que se afasta,

Fico sem rumo nem alento,
Sozinho na escuridão nefasta.


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26 de abril de 2009

Duas pessoas, dois destinos


Duas pessoas aguardam sentadas
a chegada do comboio das nove.

A rapariga de xaile azul traz consigo
uma velha mala com as suas coisas.

O silêncio, o olhar triste e pensativo,
a certeza de que tudo chegou ao fim.

Olha para o relógio, faltam dois minutos,
apanhar o comboio e não mais voltar.

O comboio das nove chega à estação.
A rapariga levanta-se e pega na sua mala.

Abraça-me, beija-me e diz-me adeus.

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6 de abril de 2009

Um momento

A senhora de mala vermelha conversa
Com outra enquanto observa as montras.

Um velho mendigo pede uma esmola
Para sobreviver sem fome mais um dia.

Um estudante caminha em direcção
À sua escola, ouvindo absorto o seu iPod.

Uma criança brinca alegremente na rua
Com uma bola azul que o seu pai lhe deu.

E o tempo parece parar, enquanto
tudo observo da esplanada do café.

E apercebo-me de que penso em ti…

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As luzes e as sombras

As luzes e as sombras, a cidade
As pessoas que atravessam as ruas.

O som distante de um acordeão
De um fado por outrém cantado.

Oiço o crocitar das gaivotas:
Aproxima-se uma tempestade.

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21 de janeiro de 2009

A Poesia dos Sentidos


De grande fiabilidade,
são dádivas da Natureza,
emprestando à vida beleza,
captando a realidade.

Através dos sentidos,
a vida ganha novas cores,
e cheiros e sabores,
adquire novos motivos.

São eles que mostram
a beleza e a verdade,
a complexa realidade,
em tudo o que captam.

Não podemos viver
isolados do que existe.
Sem eles nada subsiste.
O que poderíamos ter?




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15 de dezembro de 2008

Amor

Fogo intenso que aquece,
e envolve o meu ser,
O amor, quando aparece,
A dor faz desaparecer.

Surge a esperança
a quem a já não possuía.
Volto a ter confiança
e uma maior alegria.

Nos lábios um sorriso,
na mente a irrealidade,
e subo mais um piso,
mais perto da felicidade.

Mas até quando irá durar
esta etapa maravilhosa?
Será que quando acabar
virá nova fase dolorosa?

Será esse o meu destino,
a ser infeliz estar fadado,
em constante desatino,
sem nada ter conquistado?

Ou será que o passado
não foi mais do que um sinal
A sorte terá então mudado,
existirá a Felicidade afinal?

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15 de novembro de 2008

O início de uma nova Era

o dia em que te conheci,
quero agora recordar,
o resto irá desaparecer,
para nunca mais me lembrar
dos tempos negros que vivi,
em que a solidação apertava
e que o desespero aumentava,
não conseguia ser feliz,
depois tu apareceste, envolta
num manto de mil cores,
impregnado de suaves odores...
novo rumo deste à minha vida,
monótona e triste que era,
encetaste em mim uma nova Era.

1 de novembro de 2008

Realidade ou sonho?


Amei-te naquele dia em que te vi,
caminhando pela rua serenamente,
o teu cabelo brilhando ao sol nascente,
Os olhos em que desesperadamente me perdi.

O teu rosto transparecia calma
O teu porte, elegância e suavidade
O teu sorriso, a tua personalidade...
Só tu alegravas a minh'alma,

E tudo subitamente desapareceu
O teu rosto, porte e sorriso [e pensei...
Teria sem querer entrado no paraíso.
Ou teria sido apenas um sonho meu?



Pintura a óleo: "Mulher Burguesa", de Abel Salazar

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24 de outubro de 2008

Pensamentos epicuristas

Digo que tenho um lar,
uma família, um espaço,
ninguém mos pode tirar,
sou livre no que faço,
mas afinal o que é meu?
A vida muda rapidamente,
o que é já desapareceu
nada resta, senão a mente,
que é prisioneira do corpo,
só se libertando quando a
morte derradeira mostra
todo o seu encanto ...
Será que vale a pena
lutar contra o destino
se ele já me acena
com um sorriso cínico?
a minha resposta é não.
O melhor a fazer é viver
sem grande preocupação,
evitando a dor de perder.
O tempo vai passando
e vou vivendo com a vida,
apenas do destino a mando,
à tristeza não dando guarida.
Porque afinal tudo é nada
e o nada é tudo também
a vida é uma emboscada
para quem pensa que tudo tém.

A verdadeira identidade


Tento descobrir a minha identidade
Mas não a consigo encontrar.
Tudo se esconde atrás da máscara
que o dia-a-dia ajuda a criar

Máscara essa que esconde um desejo
secreto ou um sentimento profundo
Em tudo o que faço, ouço ou vejo,
Existe de pensamentos um mundo

Lugar deveras sombrio, a mente
Onde habitam os piores receios
Bem como sonhos ou devaneios
De quem vive em sofrimento

Destruir esta máscara anseio,
porque oculta a realidade [sobre
a minha verdadeira identidade.