30 de janeiro de 2009

Uma caminhada


Num dia quente de Verão, decidi fazer uma caminhada pela marginal de Vila do Conde onde habitualmente descanso. O sol ainda brilhava, embora com cada vez menos intensidade, à medida que ia descendo na abóbada celeste. Passado algum tempo, o sol escondeu-se e deu lugar à noite, à Lua e às estrelas.
O vazio. O silêncio, apenas quebrado pelo bater das ondas do mar e pelos lamentos das gaivotas que cruzavam os céus. A tranquilidade que outrora predominava na marginal, mas que tinha sido substituída pela imparável vida citadina. A maresia que o vento trazia, evocando em mim fragmentos de histórias há muito esquecidas, no tempo em que os Deuses habitavam a Terra, embelezando todos os recantos com a sua magia. A solidão, afinal tão negativa quanto pensava, o que é mau é o desespero, esse dilacera a alma. A saudade, da minha infância, do tempo em que era feliz, vivendo na ignorância de não conhecer nem a guerra, nem a tristeza, nem o sofrimento, todos os ideais de que o Homem tão orgulhosamente fala afinal submetidos a um mais persuasivo, o poder e o dinheiro...
O vento afasta-se e novamente o vazio, ele mesmo carregado de significações metafísicas tão importantes e tão profundas, que remontam à origem do Universo, mas que não consigo descobrir. O silêncio...

21 de janeiro de 2009

A Poesia dos Sentidos


De grande fiabilidade,
são dádivas da Natureza,
emprestando à vida beleza,
captando a realidade.

Através dos sentidos,
a vida ganha novas cores,
e cheiros e sabores,
adquire novos motivos.

São eles que mostram
a beleza e a verdade,
a complexa realidade,
em tudo o que captam.

Não podemos viver
isolados do que existe.
Sem eles nada subsiste.
O que poderíamos ter?




Creative Commons License

12 de janeiro de 2009

A cidade

Hoje, dia 12 de Janeiro de 2009, faço o percurso habitual que me leva à Universidade. Todos os dias passo por aquele local, sempre em grande azáfama. Hoje, porém, é ainda cedo, e por isso posso vaguear com mais calma, apreciando a cidade em pormenor.
Os primeiros raios de sol incidem sobre os prédios da Baixa portuense. A cidade começa a despertar sentindo-se já o fervilhar das actividades do dia-a-dia. Um vento fresco, mas agradável, faz agitar as árvores do Jardim da Cordoaria. Ao longe, a Torre dos Clérigos, um importante ex-libris da cidade.
Paro e observo tudo o que me rodeia. Tento captar tudo o que vejo, até o mais ínfimo detalhe, para que tudo permaneça na minha memória imutável com o passar dos tempos.
Contudo, apodera-se de mim uma sensação estranha, um misto de alegria e tristeza, de incompreensível saudade. Dou por mim a recordar alguns momentos que vivi em criança ali mesmo e de como a olhava com um enorme espanto e admiração, habituado que estava a viver longe da imparável vida citadina. Na altura era um mundo diferente e, por isso, era com verdadeira curiosidade que o descobria…
Hoje, conheço bem melhor a cidade, mas de certa forma ainda é assim que a vejo. Dá-me vontade de percorrer as suas ruas, de passear pela Ribeira, pela Foz, por Serralves, pelo Parque da Cidade... Recordo o Porto Sentido do Rui Veloso e apercebo-me que embora as palavras sejam diferentes, o sentimento é o mesmo...




Creative Commons License

8 de janeiro de 2009

O meu manifesto contra a situação política actual

Não me venham com falinhas mansas,
com subtilezas e truques de magia,
que apenas enganam um idiota chapado,
ou então alguém que deseje ser enganado,
já disse e voltarei a repetir se necessário: “Basta!”
Basta de políticos corruptos, que não cumprem
O que prometem e ainda se sentem satisfeitos,
Que saem de cargos políticos e vão para tachos,
Que vivem à bordaleza em tempo de miséria!
Basta de conformismo!
Basta de dizer que a culpa da situação ser má
é dos funcionários públicos, dos operários e
dos governos de há não-sei-quantos-anos!
Se calhar ainda culpam o Afonso Henriques,
que num momento de pura diarreia mental,
lembrou-se de tornar Portugal independente!
Ou D. Sebastião, que desapareceu para os lados
de Alcácer-Quibir, mas que ainda não apareceu
numa manhã de nevoeiro para salvar a Cena!
E não me digam, por amor de Deus,
dos Morangos e da Floribela (a trilogia sagrada)
que é preciso falar verdade, quando enganar as massas
é a vossa arma favorita! É preciso ter lata!
E depois querem o Zé a ir votar nas eleições,
A meter uma cruz no vosso quadrado!
Querem que o povo exerça o seu dever nas eleições?
Demonstrem que estão cá para servir o país
E não para servir os vossos interesses.
Provem por A+B que não estão implicados
em quaisquer situações ilegais (improvável),
ou tenham um pingo de decência e demitam-se (desejável)!
Maquiavel já existiu um na História e já chegou.

Creative Commons License