31 de outubro de 2008

Hasta siempre, Comandante!



É dificil falar de alguém sem nunca o ter conhecido. Ainda mais se essa pessoa viveu uma época completamente diferente. Mas é impossível não falar de quem me marcou profundamente pela sua dedicação à justiça e igualdade sociais.
Falo de Ernesto Guevara, ou mais simplesmente el "Che", como carinhosamente os cubanos se lhe referem.


Ávido leitor e conhecedor da filosofia marxista-leninista, Ernesto Guevara era estudante na faculdade de medicina na Universidade de Buenos Aires, Argentina, quando pouco antes de terminar o seu curso, decide partir numa viagem com seu amigo Alberto Granado pela América do Sul. No decurso das suas viagens, visita minas de cobre, populações indígenas, leprosários, e apercebe-se da extrema pobreza em que a grande maioria dos sul-americanos vivia. Perante toda esta situação, compreende que só uma mudança do panorama político mundial (dominado pelos Estados Unidos) poderia amenizar aquela terrível tragédia humana.
Com Fidel Castro e um grupo de activistas políticos, decide organizar um movimento que tinha como principal objectivo a libertação de presos políticos em Cuba, movimento esse que falhou, obrigando-os a refugiarem-se nas montanhas de onde iniciam uma luta contra o presidente cubano Fulgencio Batista, que era apoiado pelos Estados Unidos. Nas montanhas ganham poder, recrutando muitos camponeses, intelectuais e trabalhadores urbanos. Luta contra o imperialismo americano, que utiliza Cuba como um autêntico bordel, desprezando a população local.
Finalmente, Batista é derrotado, e é instaurado novo regime socialista, liderado por Fidel Castro, com Che como um dos principais líderes do regime.
Che parte para o Congo uns anos mais tarde, tentando espalhar a causa comunista pelo mundo, mas sem sucesso por falta de apoios.
Regressa a América do Sul com esse mesmo objectivo, mas não é igualmente bem sucedido, acabando por ser assassinado na Bolívia pelas milícias locais.
Apenas trinta anos mais tarde o corpo foi descoberto e Che teve direito a um funeral condigno. Foi feito um memorial a Che Guevara, na cidade de Santa Clara, que felizmente já tive o prazer de visitar no ano passado.
Após a sua morte, as proezas de Che não foram esquecidas. A sua experiencia enquanto médico e a sua vida de guerrilheiro tornaram-se lendárias.
Ainda que compreenda que um regime verdadeiramente comunista seja impossível de implantar, admiro a coragem de quem é capaz de lutar por aquilo em que acredita.
Hasta siempre, Comandante!

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24 de outubro de 2008

À procura da felicidade


Eu quereria conquistar palavras para dizer o que sinto, o que me vai na alma… mas a outra parte de mim reprime os meus pensamentos, fechando-os numa cave escura e profunda.
Vagueio pelas ruas, sem objectivo ou rumo definido. As ruas parecem-me todas tristes, sombrias, sendo impossíveis de distinguir. Sou levado pelo vento, como as folhas numa manhã de Outono. Por vezes, sinto-me triste, melancólico, sem vontade de viver. Porém, hoje, nada sinto, nem alegria ou tristeza ou sequer aborrecimento.
Hoje, apenas e só vivo. Não recordo o passado, nem faço planos para o futuro. Vivo o presente da melhor maneira possível.
De um devaneio, surgem vários sentimentos contraditórios: a alegria de viver, a tristeza por não ser feliz, o amor que nutro por quem me ama, o ódio por quem me despreza. Tudo se resume a uma mistura escura, compacta, da qual não encontro saída.
Por vezes pergunto-me: porque é que algo triste me acontece sempre? Não terei eu talvez a possibilidade, mesmo que remota, de ser feliz?
Felizmente, sei que não me encontro sozinho neste beco sem saída. Não encontro a luz ao fundo do túnel. Mesmo assim, procuro-a ardentemente, esperando encontrá-la. Encontrar a felicidade.

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Pensamentos epicuristas

Digo que tenho um lar,
uma família, um espaço,
ninguém mos pode tirar,
sou livre no que faço,
mas afinal o que é meu?
A vida muda rapidamente,
o que é já desapareceu
nada resta, senão a mente,
que é prisioneira do corpo,
só se libertando quando a
morte derradeira mostra
todo o seu encanto ...
Será que vale a pena
lutar contra o destino
se ele já me acena
com um sorriso cínico?
a minha resposta é não.
O melhor a fazer é viver
sem grande preocupação,
evitando a dor de perder.
O tempo vai passando
e vou vivendo com a vida,
apenas do destino a mando,
à tristeza não dando guarida.
Porque afinal tudo é nada
e o nada é tudo também
a vida é uma emboscada
para quem pensa que tudo tém.

A verdadeira identidade


Tento descobrir a minha identidade
Mas não a consigo encontrar.
Tudo se esconde atrás da máscara
que o dia-a-dia ajuda a criar

Máscara essa que esconde um desejo
secreto ou um sentimento profundo
Em tudo o que faço, ouço ou vejo,
Existe de pensamentos um mundo

Lugar deveras sombrio, a mente
Onde habitam os piores receios
Bem como sonhos ou devaneios
De quem vive em sofrimento

Destruir esta máscara anseio,
porque oculta a realidade [sobre
a minha verdadeira identidade.