11 de novembro de 2011

Solidão

Dança impetuoso o vento acre.
Sonhos meus, ide, ide!
Sou engenho sem arte,
fogo que já não arde.
Resta-me a doce alvorada:
far-me-ei ao mar e partirei.

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10 de novembro de 2011

O bravo soldado

Junto ao muro da cidade,
longos meses sitiada,
resistia o valoroso soldado,
ignorando a retirada.
Exausto da peleja cruel,
que sabia demais o fel,
pelo descanso ansiava,
que só na lança o achava. 
O momento por fim chegou,
seus olhos se fecharam,
e doce vitória alcançou,
sentiu os que o amaram. 
Junto ao muro da cidade,
jaz agora o bravo soldado,
que lutara com tenacidade
mesmo estando isolado.

Dedicado ao meu avô
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25 de outubro de 2011

Distanciamento

"The world is changed. I feel it in the water. I feel it in the earth. I smell it in the air."

Aqui e ali, quando analiso a realidade ao meu redor, mais me apercebo de quanto o cenário e, de certa forma, os actores neles presentes, se alteraram no decorrer da peça que é a minha vida.
É verdade que ainda vivo com os meus pais, na minha casa, na terra onde nasci. Mas não é a mesma terra, não é a mesma casa, não são os mesmos pais que conheci. 
Sinto um distanciamento cada vez maior disto, desta "vida", destas "oportunidades de ser alguém". Como se eu não fosse alguém, sozinho, mas alguém... Posso não ser importante, posso não ser respeitado e tratado como tal, mas mereço pelo menos não ser ignorado, e é isso que tenho vindo a sentir cada vez mais.
Sinto que até mesmo aqueles que sempre cuidaram de mim, se preocuparam comigo, cada vez mais me olham mais como um peso, um fardo que têm de suportar até eu me poder sustentar e sair das suas vidas.
Sei que não é fácil a convivência numa família, há discussões, conflitos de pontos de vista de gerações diferentes. Tudo isso é normal numa família. O que não é normal é a constância disso durante praticamente todos os instantes da relação familiar. E quando não há discussões, existe o silêncio, que é ainda mais insuportável. Não é um silêncio de paz, é um silêncio de tréguas prontas a explodir quando há um motivo válido para nova "guerra".
Espero que esta tensão permanente se atenue, a bem da minha sanidade mental. É impossível viver desta forma.
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11 de janeiro de 2011

Caminho ao teu destino

A noite vai avançada, e os
meus últimos pensamentos
vão para ti, e minh'alma
sorri de estar perto da tua.


Teus delicados beijos são
como chuva no deserto,
teus sorrisos são a fonte
onde encontro felicidade.


Caminho ao teu destino...

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6 de abril de 2010

Tragicomédia

A vida é a pior tragicomédia a que já alguma vez assisti! A sério! Tém os seus momentos engraçados, é certo, mas 99% do tempo é entediante e enfadonha! É como dissecar palavra por palavra um livro de Marcel Proust, ou um compendium de quimica orgânica! É assinar papeis, fazer tarefas inúteis, ir a reuniões, trabalhar, trabalhar, trabalhar... até quando?! Até sermos uns velhos decadentes, dependentes de outros e sem vontade de viver?
Saibamos ao menos aproveitar o 1% que nos resta, com um sorriso nos lábios, não esquecendo porém que o final de uma tragicomédia é quase sempre, e como o nome indica, uma infame tragédia.



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Um grão de areia


Entreguemo-nos à morte, sem veleidades. O Mundo está perdido, e nós somos os obreiros disso. Infames e ímpios, cegados pela nossa arrogância e impetuosidade, fomos incapazes de perceber a dádiva que nos precede e permite a nossa existencia. Ignorámos o rufar dos tambores, os gritos esganiçados, as mãos estendidas e os choros exacerbados. Ofuscados pela incandescência das nossas fontes luminosas, os deuses deturpados dos nossos tempos, perdemos a centelha da verdadeira Luz, que nos iluminava o espirito.
Nietsche tinha razão: "
a esperança é o derradeiro mal; é o pior dos males, porquanto prolonga o tormento" e leva ao fragmentar da alma.
Viva! Exaltemos as virtudes de uma morte lenta e decadente! Exaltemos as injusticas, as desigualdades e as hipocrisias! Nada! E o que nos resta, o que somos: Nada! Um grão de areia na imensidão do deserto...


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8 de novembro de 2009

Regresso ao blog

De regresso ao meu blog, reparo que já desde finais de Julho que não escrevo nada nele. Que estranho! Não é por nada ter de relevante para falar, bem pelo contrário, há motivos de sobra. Ao invés, tenho vivido mais nestes últimos tempos do que no resto da minha vida e, por isso, precisava de pôr as minhas coisas em ordem. Até chegar aqui, claro.

Eu percebo agora que dou os primeiros passos para sair da encruzilhada em que me encontrava. Por um lado, a minha baixa auto-estima que fez com que, durante muito tempo, me sentisse de certa forma inferior aos meus pares. Por outro, a frustração e a incerteza quanto ao facto de poder vir a amar alguém novamente.

Creio que estes sentimentos devem corresponder exactamente àqueles que muitos sentem e que levam a sérios problemas, tais como dependência do álcool, drogas ou mesmo suicídio. Porém, eu seria incapaz de pôr termo à minha vida, mesmo que todo o meu mundo ruísse, hipoteticamente falando. As recordações das amarguras fazem-me sentir vivo, real, complexo, e não uma personagem de um qualquer romance fictício. Fazem-me amadurecer enquanto pessoa, equipando-me com as ferramentas necessárias para abordar quer o presente quer o futuro com maior coragem e determinação.

Sei, porém, que o caminho que trilho não é fácil. Tenho de ser persistente e lutar por aquilo que é importante para mim. E, acima de tudo, não deitar a toalha ao chão, como já me apeteceu fazer em certas ocasiões.

“Hope, it is the quintessential human delusion, simultaneously the source of your greatest strength, and your greatest weakness” (Is it?)

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