"The world is changed. I feel it in the water. I feel it in the earth. I smell it in the air."
Aqui e ali, quando analiso a realidade ao meu redor, mais me apercebo de quanto o cenário e, de certa forma, os actores neles presentes, se alteraram no decorrer da peça que é a minha vida.
É verdade que ainda vivo com os meus pais, na minha casa, na terra onde nasci. Mas não é a mesma terra, não é a mesma casa, não são os mesmos pais que conheci.
Sinto um distanciamento cada vez maior disto, desta "vida", destas "oportunidades de ser alguém". Como se eu não fosse alguém, sozinho, mas alguém... Posso não ser importante, posso não ser respeitado e tratado como tal, mas mereço pelo menos não ser ignorado, e é isso que tenho vindo a sentir cada vez mais.
Sinto que até mesmo aqueles que sempre cuidaram de mim, se preocuparam comigo, cada vez mais me olham mais como um peso, um fardo que têm de suportar até eu me poder sustentar e sair das suas vidas.
Sei que não é fácil a convivência numa família, há discussões, conflitos de pontos de vista de gerações diferentes. Tudo isso é normal numa família. O que não é normal é a constância disso durante praticamente todos os instantes da relação familiar. E quando não há discussões, existe o silêncio, que é ainda mais insuportável. Não é um silêncio de paz, é um silêncio de tréguas prontas a explodir quando há um motivo válido para nova "guerra".
Espero que esta tensão permanente se atenue, a bem da minha sanidade mental. É impossível viver desta forma.