6 de abril de 2010

Tragicomédia

A vida é a pior tragicomédia a que já alguma vez assisti! A sério! Tém os seus momentos engraçados, é certo, mas 99% do tempo é entediante e enfadonha! É como dissecar palavra por palavra um livro de Marcel Proust, ou um compendium de quimica orgânica! É assinar papeis, fazer tarefas inúteis, ir a reuniões, trabalhar, trabalhar, trabalhar... até quando?! Até sermos uns velhos decadentes, dependentes de outros e sem vontade de viver?
Saibamos ao menos aproveitar o 1% que nos resta, com um sorriso nos lábios, não esquecendo porém que o final de uma tragicomédia é quase sempre, e como o nome indica, uma infame tragédia.



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Um grão de areia


Entreguemo-nos à morte, sem veleidades. O Mundo está perdido, e nós somos os obreiros disso. Infames e ímpios, cegados pela nossa arrogância e impetuosidade, fomos incapazes de perceber a dádiva que nos precede e permite a nossa existencia. Ignorámos o rufar dos tambores, os gritos esganiçados, as mãos estendidas e os choros exacerbados. Ofuscados pela incandescência das nossas fontes luminosas, os deuses deturpados dos nossos tempos, perdemos a centelha da verdadeira Luz, que nos iluminava o espirito.
Nietsche tinha razão: "
a esperança é o derradeiro mal; é o pior dos males, porquanto prolonga o tormento" e leva ao fragmentar da alma.
Viva! Exaltemos as virtudes de uma morte lenta e decadente! Exaltemos as injusticas, as desigualdades e as hipocrisias! Nada! E o que nos resta, o que somos: Nada! Um grão de areia na imensidão do deserto...


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