26 de abril de 2009

Duas pessoas, dois destinos


Duas pessoas aguardam sentadas
a chegada do comboio das nove.

A rapariga de xaile azul traz consigo
uma velha mala com as suas coisas.

O silêncio, o olhar triste e pensativo,
a certeza de que tudo chegou ao fim.

Olha para o relógio, faltam dois minutos,
apanhar o comboio e não mais voltar.

O comboio das nove chega à estação.
A rapariga levanta-se e pega na sua mala.

Abraça-me, beija-me e diz-me adeus.

Creative Commons License

6 de abril de 2009

Um momento

A senhora de mala vermelha conversa
Com outra enquanto observa as montras.

Um velho mendigo pede uma esmola
Para sobreviver sem fome mais um dia.

Um estudante caminha em direcção
À sua escola, ouvindo absorto o seu iPod.

Uma criança brinca alegremente na rua
Com uma bola azul que o seu pai lhe deu.

E o tempo parece parar, enquanto
tudo observo da esplanada do café.

E apercebo-me de que penso em ti…

Creative Commons License

Clandestino



A noite vinha fria
negras sombras a rondavam
Era meia-noite
e o meu amor tardava...
A nossa casa, a nossa vida,
foi de novo revirada
À meia-noite
o meu amor não estava.
Ai, eu não sei onde ele está,
se à nossa casa voltará
foi esse o nosso compromisso
E, acaso nos tocar o azar,
o combinado é não esperar
que o nosso amor é clandestino

Com o bebé, escondida,
quis lá eu saber, esperei.
Era meia-noite
e o meu amor tardava...
E, arranhada pelas silvas,
sei lá eu o que desejei...
Não voltar nunca,
amantes, outra casa!
E quando ele, por fim, chegou,
trazia as flores que apanhou
e um brinquedo pró menino.
E quando a guarda apontou
fui eu quem o abraçou!

O nosso amor é clandestino

por Deolinda

As luzes e as sombras

As luzes e as sombras, a cidade
As pessoas que atravessam as ruas.

O som distante de um acordeão
De um fado por outrém cantado.

Oiço o crocitar das gaivotas:
Aproxima-se uma tempestade.

Creative Commons License